Ali, na Estrada sem Chão...


"Caminhando lentamente
Por uma estrada sem chão
Ao longe encontro
Algo vindo em minha direção.

Continuo a caminhar
Mas um aperto no coração
Que arrepia meu corpo
Me fez parar.

O céu escurece
Começa a chover
Tudo para
E os pingos de chuva caem em mim como cristais.

Olho para a frente
Não há mais nada
Só resta ali
Eu, a chuva e a estrada sem chão.

As batidas do meu coração cessam
Minha visão já não é mas a mesma
Eu começo a andar
Um passo de cada vez.

Olho para frente
Alguém ou algo está vindo
Veste uma capa preta
E trás algo na mão.

Meu coração acelera
Meu corpo arrepia
Minhas mãos tremem
Paro de caminhar.

A pessoa se aproxima
E cada fez mais consigo enxergar quem seja
Traz em sua mão uma foice
E na outra um relógio.

Olho para o chão
E nada vejo
A estrada é a mesma
E os pingos de chuva não criam poças.

Quando volto a olhar para frente
Está lá cara-a-cara comigo
Algo tão inesperado
O que estaria fazendo ali?

Era pálido
Olhos fundos
Magro
E cabelos negros.

Sua foice brilhava
Seu relógio continha meu nome
Sua voz era maliciosa
E seus olhos suspiravam morte.

Perguntei o que ele queria
Disse ele que queria minha alma
Para que?
Para poder continuar a andar.

Olhei assustado
Não sabia o que fazer
Então olho para o céu
E fecho meus olhos.

Aos poucos sinto
Algo sair de meu corpo
Ao olhar para frente
Não enxergo nada mais, e caio.

Aquela pessoa que ali estava foi embora
E eu, ao abrir os olhos estava preso
Só via horas correrem ao meu redor
Nada mais ali Habitava.

De repente senti algo me levantar
Era um anjinho
Que ali passava
Naquela estrada sem chão.

Só meu corpo restou
Minhas lembranças permaneceram no ar
A Morte, minha vida levou
E minha alma com um menino ficou.''

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