A esperar...



  Por um momento se vê de relance a sombra de alguém passar pela sala. Era uma sombra masculina e com asas. Então com mais clareza a tal sombra anda vagarosamente até o centro daquela sala escura e pega o cordão e sai.

  De repente uma janela aparece a cima da mesa que ali se encontra. A janela está entre aberta e sozinha sem ninguém tocá-la ela se fecha devagar.

  Ao voltar para o centro da sala uma poltrona cinza e desgastada está ao lado do armário e alguém está sentado ali. Percebe-se que é a tal sombra de asas. Ele se levanta e vai até a luz com o cordão na mão.

  Agora já pode-se ver a face e o corpo dessa tal pessoa. É um menino meio moreno só que um pouco pálido e de cabelos curtos e enrolados. Ele tem asas brancas e não usa nada além de uma calça branca e larga de pano macio.

  Com um gesto lento e suave ele leva o cordão até o pescoço e cujo pingente que aparece é a letra M. Não se sabe o porquê desse pingente estar ali e de que seja essa letra.

  O tal rapaz olha para a parede e sua expressão é triste e solitária. Ele olha para o quadro e dessa vez sorri. E nesse quadro á um casal.

  A foto está desgastada e antiga demais e não se vê quem são eles. Mas o sorriso no rapaz aumenta cada vez mais e sua expressão mostra saudade.

  De repente ele escuta algo e olha para o quadro, com impulso. Algo ou alguém está escrevendo ali, mas ele não vê, e então parasse de escrever.

  Ele caminha até o quadro e ao ler o que estava escrito rapidamente uma expressão de amor aparece em sua face. No quadro esta escrito:

 “Note que eu estou aqui esperando por você...”

  Ao acabar de ler ele vira as costas e ao olhar para perto do quadro vê um grande espelho com o contorno de prata pura e brilhante. Ele caminha até lá e ao olhar para as suas asas as pontas delas estão negras.

  Ele se assusta com aquilo e rapidamente sua expressão muda para uma de medo e desânimo.

  Ele decide então deixar aquela sala. Ao caminhar não percebe que deixa algo cair em frente ao espelho e se vai. Abre suas lindas asas e voa janela a fora.

  A pequena sala escura e vazia fica mais uma vez sem ninguém apenas mais alguns objetos.

  Agora esta sala não vibra mais só que ainda é tenebrosa. E com o armário coberto, o quadro sozinho, uma mesa e uma cadeira... Agora se tem uma poltrona desgastada, uma janela, um quadro e ao seu lado um espelho que a sua frente tem um objeto mais uma vez desconhecido.

  Agora ao olhar para o espelho sente-se a presença de alguém forte e ao mesmo tempo fraco. De alguém feliz e ao mesmo tempo triste. De alguém decidido e também indeciso. E de alguém que ama e mesmo assim odeia.

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