A mesma de sempre...


 Naquela mesma sala fria e escura aonde há um armário coberto, um quadro e agora uma mesa, uma cadeira, um urso e nada mais. A luz acende e apaga de segundos em segundos. Alguém observa aquela sala do alto, e ao piscar, o armário não está mais coberto e a porta dele está aberta. 
 De repente um cheiro de rosas inunda aquela sala e uma risada é ouvida por ninguém. Uma mão pálida aparece na porta do armário e alguém sai de dentro dele.
  
  A pessoa vai andando devagar, passo a passo. Ao aparecer na luz se vê que é uma menina linda. Ela é branca, só que pálida. Cabelos enrolados e castanhos. Seus olhos são cor de mel. Ela veste um manto branco e está descalça, e no seu pescoço há um cordão cujo o pingente é um anel. Há algo escrito mas não dá para ver o que é.

  Ao chegar ao centro da sala ela olha para o teto e sua expressão feliz se abate e decide ir até a mesa. Ela não parece com medo mas sim triste e preocupada. Ela se senta na cadeira e fica balançando seus pés. Então resolve sorrir ao olhar para o urso desgastado. Ela o pega e o abraça.

  Uma lágrima escorre de seu rosto vagarosamente e cai no ursinho. E de repente ele não é mais um urso desgastado. Ele toma uma forma perfeita. Sua roupa é rosa e branca, seu nariz é marrom e sua verdadeira cor é bege.

  A pequena menina não é uma criança mas também não é uma jovem. E seu urso naquele momento é seu maior tesouro. Ela o abraça forte e sente algo pontudo. Ao olhá-lo uma rosa laranja aparece nele mas ela está sangrando. A menina não se assusta e pega a rosa na mão e coloca em seu cabelo.

  Ao olhar para o teto sente que alguém a observa mas não sabe quem é. Ela olha para todos os lados da sala. O armário está de novo coberto e no quadro tem algo escrito. A pequena levanta e caminha até o quadro. Nele estava escrito: ''Não importa o que tenha acontecido eu ainda te amo e sempre vou amar. Estarei sempre a te observar meu anjo...''

  Seu coração dispara e lágrimas começam a rolar de seu rosto. Ela sorri um pouco mas mesmo assim está triste e dessa vez com saudades de algo ou alguém.

  Ela então volta pega seu urso e caminha até o armário. Mas dessa vez a menina está com um par de asas negras. Ela tira o manto do armário, abre a porta e se vai com um sorriso fraco no rosto e as lágrimas rolando vagarosamente.

  A sala volta ao normal. Escura, fria, vibrante e tenebrosa mas só que com uns detalhes adicionais.

  Um quadro cuja imagem não se vê. O mesmo armário coberto. O mesmo quadro escuro. A mesma luz incessante. A mesma mesa e cadeira no canto só que sem o urso. E no chão, no meio da sala há um cordão prata caído. O pingente é uma letra que nesse momento não pode ser identificada.

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