7°: Notícia


  
  Eles se despediram. Ela sorriu. Ele sorriu também, mas seus olhos expressavam tristezas. Ele virou as costas e se foi.

  “Adeus” Dizia a sua mente. “Até mais ver” Dizia seu coração. Ele chorou. Ela sorriu ao entrar em casa porque ainda não sabia de nada.

  Sem ligações. Sem mensagens. Sem ir na casa um do outro. Sem conseguir viver. Sem o amor. O que fazer?

  Ela passou a semana trancada. Pensando nele. No seu sorriso. No seu amor. Ela se levanta.

  Percebeu então... A sua semana de agonia já tinha passado. Ela poderia vê-lo hoje.

  Não ligou, nem avisou nada. Foi visitá-lo.

  Ela se arrumou. Colocou a roupa que ele mais gostava. O seu melhor penteado. Viu-se com o seu cordão mais lindo que ele deu. Ela saiu. Caminhou e caminhou. Ela não quis pegar nenhuma condução. Resolveu andar e curtir aquele sol ameno e se controlar.

  Um passo de cada vez. Respiração ofegante. Coração acelerando à cada passo que dava. Ela sorriu. Só faltava mais três passos até a casa dele.
  Bateu na porta. Ela esperou calma e descontrolada.

  Ouve passos e choros. O que pode ter acontecido? A mulher abre a porta. Ela está chorando e chora mais ainda ao ver a menina linda em sua porta. É a mãe dele.

  A mulher pede para que a menina entre. Diz que em cima da mesa há um envelope enorme para ela.

  Ela pega. A mulher diz ao abraçá-la: “Perdoe-me.” Não se entende. E ela vai embora. Não vai para a sua casa, mas decide ir para a praia. Chega e senta na areia.

  Ela abre a carta. Uma foto cai. É ela e ele. A foto foi tirada a uma semana atrás, na manhã em que eles estavam na praia, deitados na areia. Ela sorri. Começa a ler a carta. Mas não percebeu o ser de luz que estava sentado ao seu lado.

  “Bom dia meu amor. Sei que estás sorrindo agora. Eu amo seu sorriso. Continue assim para o resto da vida. Bom, não pedi para minha mãe contar, não queria mais uma chorando. Mas uma coisa eu quero que você saiba. Eu morri. Não existo mais. Não sei pra onde fui e nem sei o que vou fazer. Mas não quero que você chore. Quero poder ver seus sorrisos todos os dias. Quero poder sentir a sua felicidade mesmo de longe.
  Não chore. Eu te amo. Mas agora que você sabe como é viver sem mim. Que tal fazer isso por uma vida inteira.
  Eu não te contei antes que isso iria acontecer porque não queria eu ficasses triste. Amo seu sorriso. Amo tudo em você.
  Saiba que de tudo que fizemos foi o melhor de toda a vida. Nossos abraços. Os beijos. Os carinhos. O amor. Foi tudo maravilhoso.
  Agora, nessa despedida, te peço. Não chore. Tenha certeza que eu sempre estarei ao seu lado. Agora, nesse momento olhe para o horizonte, eu sei que você está sentada na areia da praia. Olhe-o e saiba que eu te observo. De longe ou de perto.
  Eu sempre te amarei.”

  Ela não sabia o que fazer. Olhou o horizonte, deu um sorriso ameno e se levantou.

  O ser de luz não chorava, mas também não sorria. Estava preocupado com ela. O que fazer agora?

  Ela caminhou. Até a água. Tirou os sapatos e molhou seus pés. A foto e a carta na mão. Chorou.

  De repente ela decidiu jogar-se. Rapidamente o ser de luz a pegou no colo. Ela desmaiou.

  O ser de luz a levou. Deixou-a na cama de seu quarto e ficou lá.

  Ele sorriu, pois, sabia o que ia acontecer no final de tudo. E ficou ali até o dia virar e a noite permanecer calma. Até quando o sol aparecer.

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