O último suspiro de vida...



Eu andava devagar. Não corria, mesmo com aquela estrada vazia e escura.
Eu não tinha medo, mas a calmaria não habitava meu corpo.
O que fazer?
 Continuei a caminhar.
O céu estava escuro.
Sem estrelas e sem nuvens. Apenas a lua e eu.
Não sabia que horas eram porque não sabia pra onde eu ia.
Não chovia, mas o frio esfriava a minha alma. E isso aumentava.
Eu caminhava. Sem pressa. Sem rumo. Sem saber o que fazer.
Avisto então, um poste com uma luz cessante. Ela acendia e apagava sem parar. Era a única luz naquela rua escura e sombria. Sem medo, com certeza.
Eu respirei ao chegar perto daquela luz cessante.
Decidi sentar-me e pegar o livro. O nome dele? Não é preciso comentar.
Comecei a folheá-lo. Sorri. Fiquei triste depois. Normal. Eu sabia o que ia acontecer no final. Sempre é assim.
Então a luz do poste decidi apagar de vez. Tive que parar de ler.
Olho para cima e uma nuvem mais escura que a noite, começa a esconder a lua. A minha luz foi embora mais uma vez.
Decido me levantar. Olho para o lado. Alguém vem vindo. Fico parada. Não mostro nenhuma reação. Principalmente de medo.
Pego meu fone e coloco no ouvido. Uma música linda está tocando. Vermillion. Lenta e suave. Comecei a cantar.
Mais uma vez olho para o lado e dou de cara com um ser esquisito demais para aquela noite. Ele está a uns cinco palmos de mim.
Roupa preta. Botas. Sobretudo. Seu rosto era radiante naquela noite escura. Cabelos brancos ou cinzas, não consegui identificar. Olhos vermelhos.
Meu Deus!  Como isso pode existir?  Me assustei!
Ele olhava para mim como se quisesse a minha alma. Até decido oferecer. Ela estava congelada com aquele frio de matar.
Ele abriu o sobretudo lentamente. O que ele ia tirar dali?
De repente uma caixa. Vermelha, com uma faixa branca. O que seria?
Ele abaixa e deixa a caixa no chão. Olha pra mi mais uma vez. Chega vagarosamente ao pé do meu ouvido e diz: “Antes de suspirar faça um pedido.”
Não entendi.
Ele se vai. Lentamente pela escuridão. Passo á passo.
Olho para o chão. Lá está aquela caixa esquisita. Ela não é grande, mas também nem é pequena. Até que é bonita.
Eu a pego. Sem medo, mas com um pé atrás.
Abro-a com um suspiro que veio sem pedido.
Impulso. Relógios. Palmas. Gritos. Pedidos. Baque. Caí no chão.
Sem falar. Sem sentir.
Ouço passos.
Olho para cima. A lua está de volta, mas com uma cor negra demais para ser normal.
Olho para o lado. Alguém vem vindo.
Não sinto frio. Não respiro. Não sinto as batidas do meu coração.
Uma pessoa.
A mesma de antes. Seus olhos transpassavam terror. Eu gemi. Mas não sentia dor.
Ele olhou-me. Pegou a caixa. Agora a sua cor era prata e com a mesma listra branca. Tinha meu nome.
Ele olhou-me, se aproximou e disse: “Eu avisei. Agora o último suspiro é meu.”
Ele se levantou e se foi.
Então o cenário daquele lugar mudou.
Era quente e frio. Feliz e alegre. Tenebroso e calma. Vibrante e existencial.
Olho para todos os lados. Vejo rostos. Transformados. Acesos. Incessantes.
Demônios. Me olham. Me desejam. Me dizem... “ O último suspirar”
Então percebi que eu tinha morrido.
Resolvi descansar por toda uma eternidade.

Nenhum comentário

Postar um comentário