14° - Despedida...



  E foi apenas um “tchau” que a fez sorrir ao ir embora naquele momento. Um tchau qualquer? Não. O tchau dele. Daquele menino mais branco que ela, mais alto que ela, mas magrelo que ela e de aparelho que chegara a cintilar em uma luz forte.
  
  E estava frio naquele momento, ele poderia ter abraçado-a. Mas mesmo perto dela a distância parecia maior. Do outro lado, sacam?  Ele mexia no celular como se mandasse muitos sms’s. Ela desejou um para ela. Não veio. Se inquietou.
  
  Ela tremia de frio cada vez mais. Ouvia música e cantava no mais alto silêncio daquela estação. Ele, branquinho e bobo daquele jeito, olhava de tempos em tempos para ela. Como ela sabia? Olhava sem nem saber o por quê. Sorriu! Motivo? Ele deu um “tchau” sem querer por querer. Ela sorriu, levantou a mão e acenou com a mais pura felicidade nos olhos. Motivo? Não sabia.
  
  Ela desejava? Desejava algo que não se podia ter. Ele? Não se sabia. Talvez um sorriso ou um abraço quente e apertado naquela estação fria e sombria para ela, uma menina medrosa e quieta.
  
  Tchau. Ele deu mais uma vez. Ela? Levantou a mão, sorriu e ficou olhando com o sorriso no rosto maior que tudo naquele momento. Até que não deu mais para olhá-lo e sorrir. Ele se foi. E ela, com o coração alegre e cintilante, como o aparelho dele sobre a luz, esperou até a sua vez chegar.
 

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