É só uma fase?


- É só uma fase.
Eu disse à mim mesma e tentei erguer a cabeça mais uma vez, com o intuito de esquecer todos esses sentimentos que surgiram como o vento de outono numa manhã quente.
Do nada.
Acordei e tive aquela sensação de solidão.
Era a segunda vez naquela semana que isso acontecia.
“Maldita ansiedade” Pensei.
E praguejei até chegar no trabalho e me distrair com as mesmas pessoas das oito horas por dia que me faziam bem.
Na volta sempre o mesmo trajeto, sempre o mesmo horário, sempre essa monotonia.
E sem livros para ler, sigo vendo séries de assassinato. Não consigo mudar esse gênero.
Às vezes penso que poderia virar uma assassina qualquer dia.
Talvez até de mim mesma.
Mas amanheci mais uma vez com o desespero preso na garganta
A falta de sono nítida no rosto
O cabelo sem pintar
A unha descascada, quebradiça...
As roupas sem passar
Vesti as mesmas, como se não fosse receber ninguém, nem ver ou falar.
Não demorei a perceber que a vontade de viver desapareceu.
Como pude regredir dessa forma?
Eu estava feliz.
Pelo menos era isso que aparentava na minha cabeça.
Me pergunto novamente:
- Como vim parar aqui?
Como deixei que toda essa tristeza invadisse meu ser?
Foram-se quatro meses, o ano virou, e eu caí de paraquedas naquele maldito dia infeliz.
Não chorei ao escrever, mas os arrepios da vasta verdade passaram pelos meus poros reafirmando a veracidade dessas palavras.
Talvez não tenha deixado de te amar
Talvez eu tenha apenas tentado te tirar da minha vida a força
O que, aparentemente, não deu muito certo.
Estou perdendo o sono, meu amor.
E isto está me sufocando.
Como correr 500 quilômetros até você só para dizer que a saudade me espancou essa noite?

(A Sonhadora)

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