Picanha de domingo...



Respirei fundo e senti o cheiro da manhã de domingo
Onde, às onze horas da manhã, já sabíamos que sua mãe estava fazendo o almoço
O mesmo almoço de todos os domingos
Sempre como prometido.
Picanha ao forno ao ponto e duas fatias bem passadas para mim
Confesso que eu era feliz em todas essas manhãs
E queria entender como cheguei aqui
Já é o quarto texto que te escrevo essa semana
E preciso reafirmar: sinto sua falta
E deixar bem claro que não, eu não vou atrás de você
Não te ligarei
Nem baterei à sua porta.
Não perguntarei aos outros de ti e nem ao menos ficarei me perguntando.
Mas não prometo não chorar
Ou não pensar em cada momento feliz
Estou aqui agora
Com os pensamentos bagunçados
Sentindo que o vento irá me arrastar a qualquer momento
Já que me perdi em toda a nuvem turbulenta que causei
Não é arrependimento
É simplesmente a saudade que neguei todos esses meses
Por forçar uma felicidade que nunca existiu.
Ainda assim, gosto de sentir o cheiro daquela carne de domingo
E lembrar de todos os bons momentos
Mesmo que doa
E não sei como parar de doer.

(A Sonhadora)

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